Os Novos Críticos

Yago Morakami

(Youtuber Anthony Fantano [a.k.a. The Internet busiest music nerd] do canal The Needle Drop, auto entitulado crítico musical. https://www.youtube.com/user/theneedledrop)

Contextualização
No dia 17 de novembro de 2016 aconteceu o Terceiro Encontro de Design na faculdade de belas-artes da Universidade de Lisboa, e uma das palestrantes foi a professora e escritora Teal Triggs da Royal College of Art de Londres, Reino Unido. A sua pesquisa, resumidamente, é direccionada para a história do design gráfico e dos seus métodos de pesquisa, o feminismo, e o questionamento de quem são os novos críticos.

Análise
Em um ambiente polivalente como a internet, onde a informação corre livre, e que podemos criar o nosso espaço exclusivo para a expressão de nossas opiniões, encontramos em fartura conteúdo sobre os mais distintos temas nos mais diversos formatos, e assim, continuamente abre-se portas, não só para a constante multiplicação destes conteúdos e de suas variações, mas para também a crítica deles, principalmente num momento em que nos encontramos ao meio de milhares de sites e apps de review de todos os possíveis formatos, que por muitas vezes, influenciam fortemente a nossa decisão de consumir algo.
O papel do crítico deixou de ser representado por pessoas que pareciam estar muito distantes da realidade diante do ser mais comum. Abandonou a pele de socialites e se transformou na imagem de uma pessoa normal tal e qual como qualquer um de nós. Hoje em dia com o advento da internet e das redes sociais, possuímos fácil acesso as mais variadas informações. Tudo aquilo que alguns anos atrás era raro, caro ou exclusivo, passou a ser mais acessível, tendo hoje, uma plataforma que possibilita que qualquer um de nós, com a determinação devida, um bom tempo disponível e uma conexão de internet decente, possamos nos transformar em verdadeiros críticos de qualquer tema. Isso se torna uma realidade pois agora, se bem entendermos e quisermos, podemos fazer download de toda a filmografia de um único director de cinema, podemos ler sem sair de nossas casas todos os livros de quase qualquer escritor, podemos ver todas as pinturas e obras de um determinado artista, e ainda podemos ler tudo o que conseguirmos que se relaciona com o determinado objecto de estudo, e isso tudo sem gastar um único centavo. Podemos até ler e consumir todo conteúdo crítico que foi criado antes de nós, para assim criar novas críticas ou até mesmos criticar as críticas.
Constantemente usamos plataformas onde a nossa opinião é requisitada, onde o próprio facebook nos pergunta logo a primeira, “what’s on your mind?”. Mas, que de forma superficial, as vezes, interpretamos a nossa opinião e de outros como uma forte crítica, desconsiderando tudo o que pode formar uma crítica, ou até mesmo um review que possa ser minimamente levada a sério. Hoje, actualmente, possuímos os críticos de facebook, que especializam em criticar principalmente notícias sensacionalistas sobre política ou acontecimentos trágicos e / ou contraditórios, que em muitas vezes, a base da publicação provém de uma leitura extremamente superficial de uma matéria já pretensiosa, assim, soma as opiniões de quem escreve o texto e temos uma crítica instantânea e condizente com o tempo em que temos para escrever algo numa rede social. Possuímos, por outro lado, críticos, ou melhor, activistas, que usufruem das redes sociais como plataformas ideais para disseminação de conceitos e conteúdos relevantes. Muitas vezes possuem um carácter mais social, económico ou político, que normalmente se associam a diferentes movimentos.[1] Também existem os críticos das artes e do entretenimento, nascidos a partir hobbies e do seu estudo e interesse de forma autodidata, que eventualmente levaram a um questionamento do mesmo, sejam eles críticos de música,[2] de animação japonesa,[3] de filmes[4] ou o que for. Muitos destes novos críticos, principalmente aqueles que divulgam o seu conteúdo através de redes sociais que podem lhe gerar renda, possuem uma forte veia humorística, transformando a crítica em algo mais acessível a quem não está acostumado com este formato.

Conclusão
Nestas categorias podemos encontrar completos extremos dentro de cada uma delas em termos de qualidade, um texto corriqueiro no facebook ou no medium pode ter um forte impacto sem possuir fontes ou bases concretas, o activismo nas redes sociais pode muito bem se direccionar para um discurso de ódio, e críticos por hobbie podem virar do avesso o que definimos como crítica. Acredito que estas críticas e opiniões, mesmo quando completamente informais, servem um forte propósito para compreender o que é crítica e como podemos desenvolver esta prática como um reforço para o desenvolvimento do pensamento crítico.

Referências
[1] Jout Jout Prazer, Youtube, acessado dia 1 de Dezembro de 2016, https://www.youtube.com/user/joutjoutprazer?&ab_channel=JoutJoutPrazer.

[2] The Needle Drop, Youtube, acessado dia 1 de Dezembro de 2016, https://www.youtube.com/user/theneedledrop?&ab_channel=theneedledrop.

[3] Digibro, Youtube, acessado dia 1 de Dezembro de 2016, https://www.youtube.com/user/DigibronyMLP?&ab_channel=Digibro.

[4] Cinema Sins, Youtube, acessado dia 1 de Dezembro de 2016, https://www.youtube.com/user/CinemaSins?&ab_channel=CinemaSins.

One thought on “Os Novos Críticos”

  1. O assunto é relevante e pode ser desenvolvido noutro contexto. Como definir com precisão esses novos críticos e como estes influenciam a teoria e prática do design?
    A escrita está a melhorar. Este excerto – “hoje em dia com o advento da internet e das redes sociais, possuímos fácil acesso as mais variadas informações. Tudo aquilo que alguns anos atrás era raro, caro ou exclusivo, passou a ser mais acessível, tendo hoje, uma plataforma que possibilita que qualquer um de nós, com a determinação devida, um bom tempo disponível e uma conexão de internet decente, possamos nos transformar em verdadeiros críticos de qualquer tema. Isso se torna uma realidade pois agora, se bem entendermos e quisermos, podemos fazer download de toda a filmografia de um único director de cinema, podemos ler sem sair de nossas casas todos os livros de quase qualquer escritor, podemos ver todas as pinturas e obras de um determinado artista, e ainda podemos ler tudo o que conseguirmos que se relaciona com o determinado objecto de estudo, e isso tudo sem gastar um único centavo. Podemos até ler e consumir todo conteúdo crítico que foi criado antes de nós, para assim criar novas críticas ou até mesmos criticar as críticas” — repete-se e pode ser resumido a duas linhas de texto.

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