“Criticism is art’s late born twin”- A. O. Scott

Com o evoluir das redes sociais e com a sua presença constante na nossa vida, abrem-se portas para um mundo infindável de conexões e partilhas. A nossa voz chega mais longe, a nossa opinião pode ser validada com um simples movimento. É-nos dada a oportunidade de criticar e de ser criticado, onde pára então o papel do criticismo na nossa sociedade?

O crítico de cinema americano A. O. Scott, mencionado pela Teal Triggs quando falava acerca do nosso dever de olhar para o valor da critica e dos novos críticos, dá-nos um bom ponto de partida para que possamos avaliar qual é então o impacto que um crítico de arte deve ter numa comunidade.

“[There’s] a general hostility to or suspicion of criticism which is that you’re either overthinking and taking too seriously things that are just for fun. Or you’re dragging down things that are that are perfect unto themselves and either way you’re just kind of like not getting it,”[1] – A. O. Scott

O livro “Better Living Through Criticism: How to Think about Art, Pleasure, Beauty, and Truth”[2] de A. O. Scott fala acerca do crítico que há em cada um de nós, mas também defende o  trabalho de um crítico e a importância que tem. O artigo Everyone’s critic do jornal The Economist alude exactamente para esta questão, para a forma como cada um vê a critica em si: “Artists tend to regard critics as parasites on real creativity, while the general public asks what gives them the right to pronounce on matters that properly belong to everyone. “Criticism is not nice,” Mr Scott admits. “To criticise is to find fault, to accentuate the negative, to spoil the fun and refuse to spare delicate feelings.”[3] A critica pode ser vista como um acto negativo por parte de alguns, mas como o artigo fala mais à frente, a critica é essencial. É de extrema importância que alguém avalie o nosso trabalho para que possamos ver as coisas de outra maneira. Mesmo que não concordemos de todo com a opinião de uma pessoa, estamos a falar de uma pessoa informada e especializada na área onde está a actuar.

aoscott-betterlivingthroughcriticism

Vivemos numa época em que a qualidade se mede através do consumo como dita o crítico A. O Scott: “Culture now lives almost entirely under the rubric of consumption”[3] Ele sublinha ainda que o criticismo não é inimigo dos artistas, muito pelo contrário, a critica atua como defensora da arte. E chama-nos ainda a atenção para um ponto muito importante: “A work of art is itself a piece of criticism”[3]  No artigo Everyone’s critic, dá-se exemplo do trabalho dos realizadores Quentin Tarantino ou dos Irmãos Coen, mas como eles há muitos outros artistas a ter este trabalho de reflexão e pensamento por de trás da sua criação. É importante inserir aqui o termo Critical Design que se relaciona com este pensar antes de criar e com o facto das obras de arte já conterem criticismo dentro delas com explica A. O. Scott.

Um bom crítico cria imagens através das imagens que viu: “The critic is also the creator”[2] como afirma A. O. Scott na sua perspetiva. É interessante termos este olhar para o criticismo e a arte como dois paralelos, dois filhos da mesma mãe: “Criticism is art’s late born twin”[2]. É comum ouvirmos a opinião negativa de um artista em relação à critica, mas este conceito de criticismo e arte como duas formas de criação é-me totalmente novo e aliciante. Ainda no seu livro “Better Living Through Criticism: How to Think about Art, Pleasure, Beauty, and Truth”, A. O. Scott cita uma frase de um outro critico H. L. Mecken, em que ele diz que o que motiva o crítico: “is no more no less than the simple desire to function freely and beautifully, to give outward and objective form to ideas that bubble inwardly and have a fascinating lure in them, to get rid of them dramatically and make an articulate noise in the world”­. Mais uma vez, a paixão pela criação leva-nos a crer que o criticismo e a arte estão lado a lado e juntos são mais fortes.

Joana Pedreira


NOTAS:

[1] Elizabeth Shockman. A.O. Scott, New York Times film critic, on why critics’ opinions matter. Disponível em: http://www.pri.org/stories/2016-05-01/ao-scott-new-york-times-film-critic-why-critics-opinions-matter

[2]A. O. Scott. Better Living Through Criticism: How to Think about Art, Pleasure, Beauty, and Truth. 2016

[3] Everyone’s a critic. The Economist. Disponível em: http://www.economist.com/news/books-and-arts/21696918-everyones-critic


PALAVRAS-CHAVE:

Criticismo; Arte; Crítica; Cinema;

 

 

One thought on ““Criticism is art’s late born twin”- A. O. Scott”

  1. Teal Triggs em vez de Teal Tricks.
    Quando citas Scott, no meio da dita aparece uma expressão qie não deve ser citada: “Mr Scott admits.” Irmãos Coen em vês de Coen Brothers.
    Há no post um excesso de citações longas e do mesmo autor. Seria pertinente uma escrita pessoal baseada no estudo efetuado. Falta, também, uma verdadeira conclusão do post.

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