O Poder do Cartaz Político

No passado dia 4 de Outubro na Faculdade de Belas Artes teve lugar uma Masterclass que foi dividida em ensaios. Um por José Bartolo: Como estudar o cartaz político português; e outro por Mauricio Vico onde abordou o processo de investigação relacionado com a sua tese de doutoramento: El cartel político, social y cultural de la izquierda chilena en el Gobierno de la Unidad Popular: 1970-1973.

O cartaz tem como principal função divulgar informação visualmente  podendo também ser apreciado como uma peça de valor estético. O cartaz possui também um valor histórico e foi e é ainda utilizado como meio de divulgação em importantes movimentos de carácter político ou  artístico. O cartaz político é uma transmissão eficaz de instrumentos gráficos e visuais ideologias. Pode ser exposto em locais mais ou menos habitados, pelas paredes da cidade e é associado a comícios, manifestações, eleições, etc. Tornou-se num mecanismo que joga com a manipulação e o planeamento de acontecimentos e revelou-se como uma das armas mais poderosas na luta pela liderança política, pois o desenvolvimento da sua mensagem tem como fim persuadir e sensibilizar a opinião pública. É um meio de comunicação destinado a ser lido e visto por muitos observadores em simultâneo.

“O cartaz é o suporte mais democrático de comunicação.” – José Bártolo

Para trabalhar um cartaz é necessário ter em conta o estado social e cultural da sociedade onde este irá ser inserido. A situação política do país é uma influência, como no caso do Chile durante o governo da Unidade Popular (1970/1973), os cartazes, maioria deles já destruídos, tinham como mensagem manifestar o descontentamento e a necessidade de mudança. Aqui se demonstra o poder de um cartaz político, algo que quer com texto ou imagem forma uma mensagem que sensibiliza e tem impacto na população. O seu impacto resulta nos comportamentos e atitudes que o(s) autor(es) tinha(m) em mente. O cartaz político tem um grande poder de persuasão, logo este pode ter um carácter prejudicial ou um carácter construtivo, tudo depende de como o seu autor pretende influenciar os indivíduos e da mensagem que quer passar.

“Actual propaganda has a large element of the fake in it”- Lasswell

El pueblo tiene arte con Allende, 1970. [1]    Howard Miller’s, “We Can Do it”, 1943 [2]    V. Deni, “Let’s thrash it!”, 1930 [3]

O cartaz Político Actualmente

Mesmo com o aparecimento de meios de comunicação com maior impacto na sociedade, o cartaz não perdeu a sua importância. Aliás, até se pode dizer que se “apropriou” desses mesmos meios de comunicação. Ao invés de se apresentar um mero pedaço de papel numa parede, agora esse cartaz pode ser divulgado e publicado por todo o mundo num curto espaço de tempo com a ajuda das redes sociais. Essa “apropriação” resultou em que o cartaz ganhasse novas dimensões. O que antes era uma forma de manifesto em papel, agora ganhou um formato digital capaz de se difundir sem grande esforço, apenas com um “Click”. Um dos movimentos que beneficiou das redes sociais, foi a Mobilização Estudantil do Chile (Revolução dos Pinguins) em 2006, que tinha como objectivo melhorar as condições na educação; aproveitando a fácil divulgação de informação para formar um maior número de manifestantes.

Tendo sempre em mente que o objectivo de um cartaz é o de sensibilizar e influenciar a sociedade para uma determinada temática, as dimensões do seu alcance tornam-se um risco, não podendo apenas afectar negativamente uma cidade ou um país, mas sim o mundo, caso a informação transmitida seja de carácter prejudicial ou enganosa. O cartaz pode tomar variadas formas sendo uma delas uma que difere bastante da sua forma inicial, como é possível observar em protestos da FEMEN. A mensagem obtém uma força maior e é mais impactante pois sendo uma organização que usa os seus próprios corpos como tela. Neste caso o contexto social e cultural está inerente na mensagem.

Nádia Silva

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Palavras Chave

Cartaz Político, Comunicação, Sociedade, Manipulação

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Notas

[1] ORTIPOZO, Anibal. Prácticas artísticas-políticas en la transición al socialismo. Chile antes y después de 1973. Disponível em: http://laporfiadamemoria.blogspot.pt/2012/08/el-pueblo-tiene-arte-con-allende.html

[2 ] BAKKER, Thais. We can do it: Mulheres na Força de Trabalho. Disponível em: http://www.revistacapitolina.com.br/we-can-do-it-mulheres-na-forca-de-trabalho/

[3] COX, Savannah. Amazing Soviet Propaganda Posters. Disponível em: http://www.pbh-network.com/tag/posters

One thought on “O Poder do Cartaz Político”

  1. Neste Post a ideia que mais destaco é a enfase que a minha colega faz sobre a importância do contexto cultural e social aquando a análise, pensamento e realização de peças/objetos de Design. A importância de pensar o Design com todos os seus valores éticos e sociais envolvidos.
    Foi interessante uma primeira classificação do Cartaz (paradoxalmente) como um objeto de “transmissão eficaz de conceitos” apesar de, pouco depois, declarar que o cartaz perdeu a sua importância e o seu poder argumentativo. É também uma ponte para referir a importância do Cartaz na disciplina do Design, este objeto que é pensado para as ‘massas’, tem valor social preocupante porque pode transmitir carácter, quer seja positivo ou negativo.

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