A Função Social do Design (Socialmente Oportunista)

Leonardo Serralheiro

“O que é ser designer no Brasil?”, é uma das interrogações que Frederico Duarte faz na sua apresentação aos alunos de Mestrado em Design de Comunicação e Novos Media da FBAUL. Mas afinal, o que é ser designer no Brasil, em Portugal ou noutro ponto deste mundo globalizado e consumista? Onde há uma procura exaustiva (e urgente) por um design critico, sustentável e ético com uma função social. O que é ser designer enquanto sujeito crítico e elemento activo da sociedade em que se vive e para a qual se trabalha? Esta prática carrega um peso, em que o consumidor em geral não pensa e com o qual o prática facilmente perde as rédeas para uma indústria consumista e socialmente oportunista.

Frederico Duarte aborda várias temáticas, desde a função do design na sociedade brasileira com uma grande desigualdade social, ao design critico, à curadoria, ao papel dos museus e do que o público espera dessas instituições culturais. Refere ainda como a nossa pesquisa, enquanto designers, pode ser relevante a outras áreas e dá exemplos de disciplinas (dentro do design) como o design de moda ou design de produto. No entanto, com a questão “O que é ser designer no Brasil?”, Frederico Duarte contextualiza o design brasileiro que serve de mote à sua pesquisa. Um país onde emerge uma nova classe social, classe C (média) que trás um novo modelo de consumidor e que leva o design brasileiro a adaptar-se. Porém antes do aparecimento desta classe, o design no Brasil inscreve-se entre dois polos extremos, design para elites e design para favelas (classe baixa). No seu artigo “Fator Favela”, Frederico Duarte, refere alguns termos curiosos, como “função social do design” e o “design socialmente oportunista” que descrevem, respetivamente e a meu ver, a qualidade que o design pode ter e a hipocrisia em torno do design, consumidor e consumismo.

Oportunismo, Hipocrisia, Consumidor e Designer

 

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fig.1
“Bala Perdida” de David Elias (2011)

É abordado um “fator favela”, fator esse que Frederico Duarte explica com a apropriação do “estilo de vida brasileiro”, da parte de alguns designer, exemplificando com a cadeira “Bala Perdida” de David Elias (fig.1), que exploram a ideia de violência nas favelas e traduzem num mobiliário de elite, acabando por se tornar numa manobra de “falso” design critico, visto que não visa a ter como objetivo uma mudança social, diminuição da violência ou um fim à desigualdade social, nem tão pouco uma causa nobre, só se apropria de um estereótipo. Nesse artigo, surge mais um exemplo dos irmãos Campana em parceria com a Lacoste, na criação de doze polos. Frederico Duarte neste projeto não critica propriamente o facto de serem doze polos exclusivos com um valor de 7,5mil dólares cada, refere sim o facto da maison francesa optar por dar visibilidade a quem os fabricou. Não é difícil perceber o quão invulgar é um marca de luxo (ou qualquer outra marca na realidade) usar os seus operários como campanha. Claramente que é uma causa nobre a promoção de qualidade e dignidade dos trabalhadores, mas “deverão a empatia ou mesmo a caridade ser invocadas para vender excêntricas peças de roupa como essas? E será que quem as compra se pergunta quanto, ou quão pouco, dos milhares de dólares que pagou vão parar às mãos das mulheres da Rocinha?” (Duarte, F. ,“Fator Favela”, 2011).

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fig.3
Derrocada em fábrica no Bangladesh, 2013
 fig.2
“Primark Cargo Trousers” Victoria and Albert Museum , 2014

 

Provavelmente quem comprou ou desejou comprar estes polos se tenha questionado sobre a qualidade de trabalho (e de vida) destas operárias da Coopa-Roca. Na realidade esta apropriação dos pobres do Brasil para criar luxos para os ricos do mundo é uma “piada de tão mau gosto” tal como marcas de fast fashion com um produção poluente, barata e produzida aos desbarato por países de terceiro mundo (com míseros salários) para as  “classes C” e mais baixas de todo o mundo também o é. Facilmente exemplificado com uma exposição no Victoria and Albert Museum. Na exposição encontra-se umas calças da Primark (fig.2) ao lado de uma imagem da derrocada numa fábrica no Bangladesh (fig.3), o melhor exemplo do consumismo frenético do século XXI, exploração, falta de ética e de condições laborais, uma afronta à pobreza e aos trabalhadores. Brasil à parte, esta ideia de consumismo rápido e produzido em massa pacificamente aceite pela maioria dos consumidores ( incluindo designers nesse leque de consumidores) também é uma “piada de mau gosto”. Produtos para classes média e baixa, com objetivo de se aproximar ao luxo de classes altas, produzido aos desbarato e barato, onde uma classe fomenta a miséria de uma classe ainda mais baixa, onde há um desinteresse e despreocupação com a ética e sustentabilidade, criando uma sociedade onde as novas gerações não conhecem a qualidade e a ética mas sim a efemeridade dos objetos onde a sua proveniência parece ser irrelevante e o preço fala mais alto.

Como já referi, o design e o designer carregam um papel de mudança da sociedade, não apaziguando a responsabilidade do consumidor. Há uma grande procura por um design critico, ético e com uma função social, é necessário, no entanto que se formem designers com novas consciências, com uma maior função social nas suas praticas e que mudem a visão do consumismo. Sou de uma geração consumista, de consumistas velozes, insaciáveis por produtos voláteis, que apoiam uma industria socialmente oportunista e desumana. Concluo assim com uma frase que considerei bastante importante na apresentação de Frederico Duarte, “os novos designers procuram qualidade”, é dessa qualidade que a sociedade precisa.


Referências 
Duarte, Frederico. “Fator Favela”. 2011. Disponível em:
05031979.net/2011/06/o-fator-favela/
Imagens
Elias, David. Coleção “Bala Perdida”. 2011. Disponível em:
davidelia.com/projeto/bala-perdida/
Derrocada em fábrica no Bangladesh, 2013. Disponível em:
jacobinmag.com/2014/06/after-rana-plaza/
“Primark Cargo Trousers” no Victoria and Albert Museum. Disponível em:
theguardian.com/artanddesign/gallery/2014/jul/02/rapid-response-collecting-ikea-toys-primark-jeans-katy-perry-fake-lashes-in-pictures

One thought on “A Função Social do Design (Socialmente Oportunista)”

  1. O post tem problemas de redacção que terão de ser corrigido. Há frases sem sentido e verbos mal conjugados. Antes de se tornar público, o post tem de ser revisto pelo autor e, de preferência por outra pessoa da sua confiança.
    Por exemplo, não se percebe o que quer afirmar com este excerto: “Produtos para classes média e baixa, com objetivo de se aproximar ao luxo de classes altas, produzido aos desbarato e barato, onde uma classe fomenta a miséria de uma classe ainda mais baixa, onde há um desinteresse e despreocupação com a ética e sustentabilidade, criando uma sociedade onde as novas gerações não conhecem a qualidade e a ética mas sim a efemeridade dos objetos onde a sua proveniência parece ser irrelevante e o preço fala mais alto.” E a conclusão está com problemas. Por exemplo o que pretende dizer efetivamente “… o design e o designer carregam um papel de mudança da sociedade, não apaziguando a responsabilidade do consumidor.”
    Em suma, o que é a função social do designer?

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