O CRITICAL DESIGN NO CONTEXTO DAS PLATAFORMAS DIGITAIS

A terceira edição dos Encontros de Design de Lisboa realizou-se na passada quinta-feira, dia 17 de Novembro, no Grande Auditório da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, tendo as inscrições encerrado três dias antes do evento, ao ser atingida a lotação máxima.
Os III Encontros de Design de Lisboa desenrolaram-se entre as 9h00 e as 18h00, segundo o programa estabelecido para o efeito e contaram com a presença de Mario Trimarchi e Philip Cabau, Joana Quental, Fátima Pombo, Francisco Laranjo, Teal Triggs e a dupla brasileira Luiza Prado e Pedro Oliveira enquanto oradores convidados a discutir os caminhos do Design Contemporâneo.
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OS ENCONTROS DE DESIGN DE LISBOA
Procurando divulgar o contributo da investigação científica no design, esta edição dos Encontros de Design de Lisboa procurou debater a temática da identidade e da complexidade do design numa altura em que se questiona a constante reposição da disciplina perante a complexidade do mundo.
O evento que aportara inúmeras conferências, conversas e debates, fora dividido em dois grandes painéis. Enquanto que o primeiro se debruçou sobre o Design e Identidade, o segundo incidiu sobre a temática do Design e Complexidade, onde os oradores fizeram emergir os elos relacionais entre os assuntos abordados.
O evento, na qualidade de espaço de comunicação, propôs o questionamento acerca da utilização do design enquanto meio e recurso e a consequente reflexão acerca do modo como as instituições o integram enquanto disciplina. Eis o ponto crucial que este evento tocou: a importância da inovação enquanto metodologia na construção de valores sociais e económicos e a consequente identificação do papel crucial que as universidades denotam neste contexto e que faz emergir o Critical Design.

O CONTRIBUTO DE TEAL TRIGGS
Fátima Pombo, Francisco Laranjo, a dupla Luiza Prado e Pedro Oliveira e Teal Triggs foram os contributos directos do segundo painel do evento que homenageou o design gráfico. Enquanto que a primeira oradora abordou a Contribuição da Fenomenologia para as Disciplinas de Projecto, o segundo reportou-nos para o universo do Design Gráfico Automatizado. A dupla brasileira propôs a Descolonização do Design e Teal Triggs afirmou a importância do Critical Design enquanto prática, encerrando assim esta edição. Professora de Design Gráfico e Directora Associada da School of Communication do Royal College of Art, em Londres, Teal Triggs enquanto historiadora, crítica e docente de Design Gráfico que é, já proferiu diversas palestras, divulgando amplamente o seu conhecimento. Os seus textos sobre pedagogia em design, auto-publicação e feminismo têm aparecido em inúmeros livros e publicações internacionais de Design. No patente encontro, a oradora, proclamou a importância da disseminação do Critical Design enquanto disciplina a ser implementada nos estabelecimentos de ensino e apelou à reflexão do seu crescimento autónomo ao nível das plataformas digitais.
Teal Triggs defende o Critical Design enquanto actuação e conduta participativa, que visa e tem como objectivo a transformação do Design per si, através do questionamento e da reflexão, de modo a permitir um constante melhoramento e aperfeiçoamento do campo. [1]

A CRÍTICA E A ESCRITA: O Contexto Académico
De facto, criticar entende-se pela acção prática de analisar, examinar, apreciar ou realizar julgamentos menos favoráveis relativamente a méritos ou falhas de algo ou alguém, de forma inteligível ou articulada. O termo remonta ao séc. XIV e deriva do francês critique, estreitamente ligado à livre circulação de ideias e ao acesso ao conhecimento. [2]
O papel desempenhado pela crítica na prática e na investigação do design gráfico é ainda uma área de estudo pouco explorada, especialmente comparada a outras disciplinas académicas como a história de arte, a arquitectura, a literatura ou o cinema. No entanto, Triggs considera que ao longo da história do design gráfico contemporâneo, a crítica tem sido omnipresente no processo prático, quer interrogando e arranjando soluções para os briefings fornecidos pelo cliente, quer na pesquisa adoptada para o projecto, através da apropriação de métodos críticos e especulativos.
O Critical Design propõe métodos do Speculative Design de modo a desafiar reflexões, suposições, preconceitos e conceitos atribuídos sobre o papel que os artefactos desempenham no quotidiano. [3]
A missão da crítica é complexa, já que se encontra repleta de metodologias e contradições. Michael Rock afirma que “Criticismo doesn’t yield answers, only opinions, and opiniões should be diverse”. [4] Neste sentido, a complexidade da crítica traduz-se pelo facto desta ser sempre uma opinião e jamais atingir um cariz simplista ou dogmático, é mais sobre uma atitude que qualquer outra coisa, uma posição ao invés de num método [3]. Recuperando a ideia da importância da escrita na crítica, Linda van Deursen defende que os designers hoje em dia deveriam ser pagos como editores, uma vez que cada vez mais assumem esse papel. [4] Neste sentido a crítica emerge com uma importância extrema, por ser uma forma do designer conseguir ponderar e processar a informação, editá-la e optimizá-la, tanto ao nível da escrita como ao nível da prática. Porém, tal como Kenneth FitzGerald, acredito que tudo o que realizamos na prática é derivado das soluções que desenvolvemos e raciocinamos na teoria, portanto este processo teórico e prático que Teal Triggs aponta está infimamente ligado.
Ao crítico compete-lhe assim a compreensão da obra ou do assunto para a posterior divulgação ao público, assumindo-se como um intermediário entre o artefacto e o leitor. A sua legitimidade tem por base a credibilidade que o sustenta.

A CRÍTICA E A TECNOLOGIA: Os Novos Paradigmas de Publicação
Esta afirmação fará surgir um novo paradigma, já que o advento da tecnologia e o meio digital pressupõe novos meios para a prática da crítica, assumindo-se como veículo alternativo ao privilegiado meio impresso. Enquanto que aos livros, revistas e jornais competia a tarefa da publicação de textos críticos referenciados, os blogs impõe o seu caráter plural, aberto e participativo, oferecendo modos pouco convencionais de comunicação e proliferação de ideias, convidando à participação livre e gratuita do público no diálogo e apelando à publicação e disseminação das opiniões. [5] Porém, tal como Teal Triggs refere pertinentemente, estas novas implicações directamente ligadas à difusão de conteúdo e publicação online colocam em causa a pertinência da crítica e o papel do crítico. A publicação online aleatória que acarreta a profusão de uma crítica de caráter amador e pouco científico surge da massificação da Internet e da World Wide Web, que tende a destronar cada vez mais a crítica patente nos meios impressos. Claro está que, ambas a tipologias de crítica referidas têm vantagens e desvantagens e motivações diferentes que não podem ser confundidas nem descoradas: a segunda, fundamentada para criticar segundo um quadro de referência, nasce da pesquisa e da investigação de profissionais, ao passo que a primeira nasce da mentalidade e das opiniões do público virtual.

EM JEITOS DE CONCLUSÃO
A alteração e a evolução dos meios impressos para as plataformas digitais é inevitável devido a todas as possibilidades que a Internet oferece. As plataformas digitais são veículos de divulgação de informação livre, cujo caráter editorial se centra no utilizador, sem qualquer tipo de avaliação e aprovação dos conteúdos publicados. Ao invés, um crítico associado ao veículo editorial impresso é-lhe concebido o reconhecimento e a credibilidade profissional enquanto crítico.
Creio ser imperativo perante este facto que os críticos encarem o acontecimento como um novo desafio e glorifiquem as vantagens deste meio. O papel do crítico depende tanto da sua formação e opinião como de um discurso colaborativo e participativo e tem nos meios digitais a possibilidade de uma participação imediata através de um discurso mais enriquecedor. [2] Os textos científicos não se impõe, de modo nenhum, enquanto meio único e possível para a prática crítica e, ao ser restringido a este tipo de veículo o Critical Design jamais atingirá novos avanços e evoluirá. Deste modo, o crítico tem ao seu dispor as plataformas digitais que se assumem enquanto espaços para a divulgação do pensamento livre e se apresentam enquanto ferramentas de acesso aberto que permitem a crítica instantânea, espontânea e flexível.
No caso específico do design gráfico é possível encontrar uma variedade de sites online para a publicação de textos de crítica de design gráfico: A Parede, Brand New, Modes of Criticism, Eady Forum e Post-Eady Forum, entre outros.
Estas plataformas são contributos essenciais na validação das plataformas digitais enquanto veículos positivos e enriquecedores da prática do Critical Design.
Creio apenas que é imperativo as mentalidades evoluírem e se modificarem: se outrora os textos impressos proliferaram somente em públicos restritos, hoje com a tecnologia, é possível chegar-se a todo o tipo de público e elevar o Critical Design a patamares nunca antes alcançados. Torna-se assim imperativo o afastamento desta narrativa estagnada, fechada e homogénea proporcionada pelos meios impressos e uma aproximação à nova realidade tecnológica que visa, de uma forma livre e gratuita, o confronto de ideologias, reflectindo e propondo novos paradigmas.

Joana Santos

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Palavras-Chave: Design, Design Gráfico, Critical Design, Internet, Plataformas Online

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NOTAS:
[1]   Teal Triggs (2016), in “Sites of Graphic Design Criticism: New Spaces, New Critics”, FBAUL – III Encontros de Design de Lisboa
[2]   Maria Inês Chambel (2014), in “A Crítica de Design Gráfico no Contexto das Plataformas Digitais: O Blog como Espaço Preferencial de Discussão”, Dissertação
[3]   Anthony Dunne e Raby Fiona, In “Critical Design FAQ”

[4]   Francisco Laranjo (2013), In “Design Criticism”, Vimeo
[5]  Maria Inês Chambel (2015), in “A Crítica de Design Gráfico no Contexto das Plataformas Digitais: O Blog como Espaço Preferencial de Discussão”, Ano do Design Português

One thought on “O CRITICAL DESIGN NO CONTEXTO DAS PLATAFORMAS DIGITAIS”

  1. O primeiro parágrafo está confuso, com problemas de redacção e pode ser resumido.
    No segundo parágrafo terás de corrigir o seguinte: “Professora de Design Gráfico e Directora Associada da School of Communication do Royal College of Art, em Londres, Teal Triggs enquanto historiadora, crítica e docente de Design Gráfico “. Proponho que comeces assim: Teal Triggs, professora catedrática do Royal College of Art, em Londres, tem-se debruçado sobre a história, a crítica, a pedagogia, a auto-publicação e o feminismo no âmbito do design gráfico contemporâneo. O resto está a mais e com problemas de redacção. Repara em “Teal Triggs defende o Critical Design enquanto actuação e conduta participativa, que visa e tem como objectivo a transformação do Design per si, através do questionamento e da reflexão, de modo a permitir um constante melhoramento e aperfeiçoamento do campo.”. Que campo? “Visa e tem como” significam o mesmo. O que é “transformação do design per si”?
    No terceiro parágrafo citas Rock: “Michael Rock afirma que “Criticismo doesn’t yield answers, only opinions, and opiniões should be diverse”. [4] Neste sentido, a complexidade da crítica traduz-se pelo facto desta ser sempre uma opinião e jamais atingir um cariz simplista ou dogmático, é mais sobre uma atitude que qualquer outra coisa, uma posição ao invés de num método”. Além da transcrição ter um erro, não se percebe o teu raciocínio posterior. Parece haver uma contradição. No final do parágrafo indicas que “ao crítico compete-lhe assim a compreensão da obra ou do assunto para a posterior divulgação ao público, assumindo-se como um intermediário entre o artefacto e o leitor. A sua legitimidade tem por base a credibilidade que o sustenta”. Parece-me que haverá que diferenciar o crítico profissional do designer profissional que utiliza a crítica como processo. São atores diferentes.
    No quarto parágrafo tratas dos ‘novos críticos’ e não tanto das novas publicações.
    Na conclusão (em jeito de), terminas com “estas plataformas são contributos essenciais na validação das plataformas digitais enquanto veículos positivos e enriquecedores da prática do Critical Design.
    Creio apenas que é imperativo as mentalidades evoluírem e se modificarem: se outrora os textos impressos proliferaram somente em públicos restritos, hoje com a tecnologia, é possível chegar-se a todo o tipo de público e elevar o Critical Design a patamares nunca antes alcançados. Torna-se assim imperativo o afastamento desta narrativa estagnada, fechada e homogénea proporcionada pelos meios impressos e uma aproximação à nova realidade tecnológica que visa, de uma forma livre e gratuita, o confronto de ideologias, reflectindo e propondo novos paradigmas”. Logo na primeira linha falas de validação de quê? As plataformas são veículos relevantes ponto final. Depois hipervalorizas o digital sem que encontres uma justificação para tal. Os livros e outro tipo de publicações em papel estão cada vez mais acessíveis e, sobretudo, são remediadas pela tecnologia digital.
    O post merece ser revisto e melhorado na redacção.

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