O cartaz político e a arte urbana como forma de protesto

Diogo Penedo

  O mote é a apresentação do trabalho de Mauricio Vico que explora e analisa o cartaz político no Chile e de que forma este repercute os pensamentos que se opunham ao sistema político existente e defendiam os direitos sociais das pessoas.

 

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Quando nos é exposto este trabalho de investigação rapidamente descobrimos que este elemento de comunicação, o cartaz, teve grande importância na situação do Chile. Como, acho, seria de esperar. Para mim, a analogia com a street art, ou arte urbana, parece relativamente evidente visto que existem os dois no mesmo meio, a rua.
A arte urbana pode adquirir várias formas, explorar diferentes materiais como as tintas de spray, os cartazes, ou até outros materiais plásticos. O elo comum entre a arte urbana e o cartaz político é a rua, e a arte urbana é exposta na rua de uma forma ilegal, na sua maioria. Dentro do graffiti, pelo menos, há mesmo quem defenda que se não for de uma maneira ilegal, não é graffiti. Mas na sua maioria, é. E só este facto, dá um significado ético e moral a esta forma de comunicação. Nas ruas das grandes metrópoles, é onde circula mais gente, são onde os artistas actuam mais fortemente. Porque são lá que recebem exposição.
Não é difícil encontrar obras com cariz social ou político na rua. Umas mais elaboradas outras mais simples, muitas ideias políticas se transmitem nas paredes da cidade e alguns artistas conseguem fazer da arte urbana, uma experiência muito interactiva e cativante para o público, o que facilita a comunicação da respectiva mensagem.

 

 

O artista Vhils é um exemplo de um artista de rua com um cariz mais social, o seu trabalho é muito específico e preciso à partida mas que tem um conceito muito mais abrangente quando olhado de perto. Vhils começou como street writer, nos comboios da Margem Sul. Numa fase posterior, começou a reparar nos cartazes de rua, que se sobrepunham em várias layers uns em cima dos outros, sem que o anterior fosse retirado, durante anos. Parte da história da cidade estava ali, fisicamente traduzida naquele conjunto de cartazes e Vhils começou um processo de escavação/escultura nos mesmos, que ele caracteriza por vezes como arqueológico até. A partir desta ideia do passado da cidade, presente naqueles cartazes, ele foi mais longe e começou a escavar as paredes dos edifícios e começou um trabalho que é essencialmente composto por retratos de pessoas do sítio onde estes são feitos. Fez este tipo de trabalho já em sítios como a aldeia piscatória de Rabo de Peixe, nos Açores ou até Hong Kong.
Desta forma, Vhils e outros artistas como JR dão vós às populações que não o conseguem fazer nem comunicar os seus problemas. Estabelecem relações de comunicação que doutra forma não eram tão eficazes. Conectando assim as pessoas, o artistas e os governos. As cidades são os rostos de uma região ou até de um país no caso das grandes metrópoles e é evidente que este tipo de trabalhos têm um aspecto mediático muito forte.

 

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O paralelismo com os cartaz político é então feito desta forma, pela relação ser, para mim, e de acordo com estas referências, evidente. O facto da arte urbana ser representada nas paredes das cidades, exposta para todos, bem como o cartaz político, faz com que as vontades e as revoltas ganhem mais projecção.


 

Palavras-Chave: Sociedade, Política, Cartaz, Rua, Street Art

 


 

Bibliografia e Conteúdo Extra:

“The All-Seing Trump” – https://www.youtube.com/watch?v=0z9NDUlhZaw
“Construction Via Destruction” – https://www.youtube.com/watch?v=pnLaYkogqtU
Vhils Site – http://vhils.com/
JR Site – http://www.jr-art.net/
Portal de Street Art – http://www.thedustyrebel.com/
Livro Political Protest and Street Art – https://books.google.pt/books?hl=pt-PT&lr=&id=JgB3UTNAOAIC&oi=fnd&pg=PR9&dq=political+role+of+street+art&ots=0TCmr8zqe-&sig=2d4a9lSvw02tiCFsD670p7srNfw&redir_esc=y#v=onepage&q=political%20role%20of%20street%20art&f=false

 

One thought on “O cartaz político e a arte urbana como forma de protesto”

  1. Considero bastante interessante partir do cartaz político para a arte urbana, encarando a última como uma forma de protesto. A verdade é que é comum ver retratado na arte urbana questões de teor social e político, com diversas alusões a figuras de poder ou destaque, funcionando este “suporte” numa lógica semelhante à do cartaz político. Assim, a abordagem que o Diogo faz ao partir da exposição de Mauricio Vico e ao estabelecer este paralelismo entre o cartaz político e a arte urbana parece-me muito pertinente.

    Fá-lo numa linguagem clara, directa e articulada, incluindo diversos exemplos que ilustram o conteúdo do texto numa formatação cuidada e incluindo, no final, links relativos aos documentos e referências que vai mencionando ao longo do post.

    Penso que é de grande interesse observar o modo como o trabalho destes artistas desempenha a mesma função que os cartazes políticos, remetendo-me nomeadamente para o exemplo dado por Mauricio Vico relativo às manifestações estudantis, nas quais os estudantes trabalham os cartazes no sentido de dar uma voz ao público. O Diogo ilustra bem esta ideia, no caso da arte urbana, quando menciona que artistas como Vhils e JR dão voz à população, estabelecendo relações de comunicação eficazes que conectam pessoas, artistas e governos. É de notar também que os autores da arte urbana se distanciam de figuras políticas ou lógicas de propaganda, trabalhando numa óptica mais directa relativa à população e aos seus interesses e que, como o post refere, este tipo de trabalhos tem um aspecto mediático muito forte nas cidades. Penso que nestes aspectos, o Diogo trabalha os assuntos que extraiu da conferência/masterclass de uma forma muito pertinente e criativa.

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