Prática crítica uma alternativa

Leonardo Serralheiro

Critical Design, é uma prática em design que tem como abordagem o pensamento crítico. Tem o objetivo  de colocar questões e, pela prática projetual, materializa-las. Usa o design como media para estimular a discussão entre designers, indústria e público sobre implicações sociais, culturais e éticas, relacionada com tecnologia actual e emergente. Dois nomes de peso desta prática são Anthony Dunne e Fiona Raby, os seus projetos levantam questões como o porquê da arte se separar do nosso quotidiano ou os objetos não gerarem uma experiência filosófica no dia a dia. Afirmam que estão interessados na estética – a poesia- da experiência na interação com os produtos (Dunne&Ruby. Design Noir: The Secret Life of Electronic Objects. 2000).

“Through research, we discovered that electronic objects are special in that they transmit and are surrounded by electromagnetic fields which are invisible yet concrete. We thought: why not design products that draw attention to these fields in a poetic way — in a way that inspires people?” 

(Anthony Dunne & Fiona Raby. Design Noir: The Secret Life of Electronic Objects. Birkhäuser) 

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Dunne & Raby. Faraday Chair. 1995.
“As electronic products escape their cases and leak into the space surrounding them, it might become necessary for people to seek shelter in specially constructed non-radio spaces or negative radios. To shield our homes would be a luxury only the rich could afford. The Faraday Chair provides shelter from electromagnetic fields invading our homes. It is a utilitarian shelter of minimum dimensions and comfort, it might even be a retreat, a new place to dream, away from the constant bombardment of telecommunication and electronic radiation.”

Critical Design – III Encontros de Design de Lisboa

No III Encontros de Design de Lisboa ‘16 foram abordados variados temas, entre os quais a relação entre a dimensão teórica e a prática projetual em design, fomentando uma critical practice and research. Teal Triggs, oradora nesta terceira edição, é professora de Design Gráfico e Diretora Associada da School of Communication do Royal College of Art, em Londres. O seu trabalho aborda pedagogia em design, self-publishing e feminismo, têm aparecido em inúmeros livros e publicações internacionais da área. Nesta edição dos Encontros de Design de Lisboa, Triggs aborda o papel da crítica no design, que continua a ser uma área subdesenvolvida tanto na prática como em pesquisa, alertando para a valorização de uma critical practice, que se foca na ideia de que o crítico também é pensador e criador.

“Illuminating the need for self-reflexive and critical skills in design education must be the central plank…”

(Triggs, T. The Future Of Design Education – Graphic Design and Critical Practices: Informing Curricula. 2011)

Surgem “novos” media na divulgação e disseminação de conteúdos e informação relacionados com critical design, que não se prendem a formatos clássicos, alastrando-se para as redes sociais criando uma nova dinâmica e pensamento crítico entre (novo) público e designers. O desenvolvimento do critical design em contextos profissionais e principalmente académicos, acabam por levar a uma nova abordagem no ensino e prática da disciplina, estimulando o pensamento crítico. Como refere Triggs, as instituições de ensino têm um papel fundamental no desenvolvimento de uma prática críticaabordando o protejo Post-Eady Forum, como exemplo da mudança de paradigma do design. Uma iniciativa dos alunos do Royal College of Art que pretende a criação de um espaço onde o Critical Design surge como tema dominante na discussão e se interroga em relação ao design enquanto disciplina autónoma.

Critical Practice

A base para a criticidade no design como um todo é menos definida do que em disciplinas como a arquitetura, tal como outras vertentes no design, ainda não estão totalmente estabelecidas a nível disciplinar e profissional. (Ramia Mazé, Johan Redström. Difficult Forms: Critical Practices of Design and Research). Como Dunne&Raby argumentam, no pior dos casos, o design simplesmente reforça valores capitalistas. Criar e manter o desejo por novos produtos, garante a obsolescência, encoraja a insatisfação com o que nos pertence e simplesmente traduz os valores de marcas em objetos. O design necessita de estabelecer uma postura intelectual e crítica em relação a essa afirmação ou a disciplina irá perder a credibilidade intelectual e ser vista simplesmente como um agente do capitalismo (Dunne e Raby, 2001). Há um papel importante na relação entre a crítica, pesquisa e principalmente na sua tradução em prática, que acaba por ser fundamental para a autonomização (e credibilidade) da disciplina. Dunne&Ruby com Placebo Project e outros projetos, questionam e respondem projetualmente ao seu pensamento crítico, executando uma critical practice

“(…) design is thoroughly integrated in capitalist production, it is bereft of an independent critical tradition on which to base an alternative”

John Thackara , 1988

Em suma, é evidente que o design pretende cada vez mais a sua autonomização enquanto disciplina e é notável a preocupação das academias em instruir novos designers para uma critical practice, estimular  discussões e relação a implicações sociais, políticas, culturais e éticas, relacionada com tecnologia e novos media e formas de disseminar conteúdo. Uma relação firme entre crítica, pesquisa e prática projetual, uma alternativa a um design obsoleto.

One thought on “Prática crítica uma alternativa”

  1. “Design como medium” em vez de “design como media” porque media é plural de medium.
    “A base para a criticidade no design como um todo é menos definida do que em disciplinas como a arquitetura, tal como outras vertentes no design, ainda não estão totalmente estabelecidas a nível disciplinar e profissional. (Ramia Mazé, Johan Redström. Difficult Forms: Critical Practices of Design and Research): isto terá de ser escrito de outra forma e com mais rigor. Ao abrires o parágrafo com esta citação terás de fazer um esforço por a contextualizar a seguir.
    Porque não explicas a importância do Post-Eady Forum?
    No fim afirmas o seguinte: “Uma relação firme entre crítica, pesquisa e prática projetual, uma alternativa a um design obsoleto.” O que é um design obsoleto?
    O post merece ser melhor redigido e focado na crítica enquanto prática projectual e teórica em design.

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