“Contar Histórias”

Uma aula diferente do habitual é o que está na origem deste post. No dia 14 de novembro, Frederico Duarte foi convidado para falar um pouco sobre o trabalho de investigação que está a desenvolver e que tem como tema de fundo o Design Brasileiro.

Dos temas abordados, a questão da favelização foi o que mais me chamou a atenção. Neste post, e depois de ter lido o ensaio “O Fator Favela” escrito pelo convidado, vou falar de forma muito breve sobre o acto de contar uma história (storytelling) no que à propaganda de um produto diz respeito.

O Storytelling

Na divulgação de qualquer produto, a criação de uma narrativa, uma história, algo que envolva as pessoas, é fundamental para que estas sintam empatia e vontade de adquirir esse mesmo produto. É, se assim se pode dizer, um forma de criar familiaridade, um laço, entre produto ou marca e consumidor.

E nesse sentido, haverá melhor história para contar do que aquela que apela ao lado humano, às emoções, à sensibilidade, e espírito de bom samaritano do consumidor? Quanto a mim não.

“Muitos dos projetos com maior reconhecimento internacional colocam as pessoas, e não os produtos, em primeiro plano. Falam das suas origens, do seu entorno, do seu contexto. E como todo mundo gosta de uma boa história, há sempre alguém disposto a ouvir uma boa história do país onde o futuro parece finalmente ter chegado.” [1]

A colaboração entre a marca Lacoste e os irmãos Campana serve para ilustrar este conceito de storytelling aliado a uma “exploração” do quotidiano brasileiro no que à promoção da marca diz respeito.

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[fig.1] – Polo Lacoste elaborado pelos irmãos Fernando e Humberto Campana.

No caso desta peça em concreto, será que o facto ter sido fabricada em pequeníssimas quantidades (12), ou de ser assinado pelos irmãos Campana, não seria suficiente para a marca os vender como itens de luxo? Ou será que o facto de ser “Made in Rocinha” pesou na altura de decisão de quem comprou este polo?

“E se essas polos fossem feitas por mulheres (ou homens) a troco de um salário digno, numa fábrica com boas condições de trabalho, situada num bairro pacato duma pequena cidade brasileira do interior? Será que teriam o mesmo cachê? Ou é preciso serem “made in Rocinha”, a favela com a melhor vista do mundo, para alguém as querer comprar?” [2]

Por muito tocante que possa ser a história contada, esta não vai servir de nada se tiver como único objectivo a propaganda. Será que as pessoas sobre as quais são contadas essas histórias de resiliência e superação, são ‘ajudadas’ com o sucesso do produto que ajudaram a criar? De que modo vão mudar a vida de, por exemplo, e porque o caso apresentado foi uma colaboração entre a marca Lacoste e os irmãos Campana, um grupo de costureiras da favela da Rocinha? A marca doou parte das receitas para ajudar a melhorar as condições de vida dessas pessoas, ou recompensou-as de qualquer outra forma? Ou será que só utilizou este contexto social de modo a chegar ao coração dos consumidores?

Francisco Carvalho

 

Referências:

[1][2] – DUARTE, Frederico. (2011) O Fator Favela. Disponível em: http://www.05031979.net/2011/06/o-fator-favela/

One thought on ““Contar Histórias””

  1. Há uma nota errada e a frase está mal redigida: “No caso desta peça em concreto, será que o facto ter sido fabricada em pequeníssimas quantidades (12),…”
    O post promete mas fica-se por aí! Há questões que coloca no final que deveriam ser desenvolvidas no post tornando-o mais útil à comunidade.
    Por exemplo, existe um único link/referência o que também não ajuda a ampliar os conteúdos implícitos no post.

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