O designer enquanto parceiro da sociedade

– DESIGN SOCIAL –

No passada segunda-feira, dia 14 de Novembro, a Faculdade de Belas-Artes teve a honra de receber um convidado muito especial: Frederico Duarte, numa conversa intimista que se desenrolou na sala 4.11, em torno do desafio contemporâneo que o Design Brasileiro apresenta actualmente.

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A CONVERSA

Enquanto crítico e curador, Frederico Duarte enquadra-se no ramo do design activista e social –  o Critical Design -, e direcciona a sua pesquisa para a relação entre o design e as pessoas.
Na conversa que proporcionou, Frederico debate o processo de investigação relacionado com a sua tese de doutoramento, sintetizando o núcleo da sua pesquisa: o Design Brasileiro. Aqui ressalta temas variadíssimos no âmbito do Design Brasileiro (ou como Frederico corrige, no Design feito no Brasil – Made in Brazil), porém, no seu diálogo, aborda maioritariamente o papel do design nas problemáticas sociais das favelas e defende o design para o consumidor quando afirma que está na hora de os designers brasileiros tratarem o seu povo, um de seus principais valores, com o respeito que ele merece [1].

O DEVER DO DESIGN: O Papel Social
De facto, fruto da parceria do homem com a sociedade, o design deveria nascer da necessidade genuína e projectar-se enquanto desafio para a mudança. Porém, também o design activista padece de certas patologias, nomeadamente algum mitismo, uma notável falta de percepção sobre os pilares em que ele próprio assenta e uma disfunção e deslocação para as pessoas e os problemas patentes na realidade social.

Ao contribuir para o consumismo e oportunismo, o design subverte todos os princípios que o geraram, princípios estes que actualmente o induzem cada vez mais à produção de artefactos que se tornam rapidamente obsoletos e inúteis. [2] Eis aqui patentes fenómenos e situações que são extremamente complexas, mas que, felizmente, se implementam cada vez mais enquanto objectos de investigação e consequente análise.
Numa época onde a classe média baixa está em constante crescimento, as discussões sobre o papel do design na sociedade têm-se vindo então a intensificar. Outrora, o design era uma atividade desempenhada de uma elite para uma elite, contudo esta realidade encontra-se num positivo processo evolutivo e tem-se vindo a desmoronar. [3] O designer tem-se vindo a consciencializar acerca do seu papel na estimulação e discussão, ajudando na regeneração dos aspectos sociais e ambientais da sociedade. Eis assim o contributo do design que creio ser o mais favorável e grandioso: o papel re-educacional da sociedade. [4] Papel este que assegura que o design não atua apenas no contexto económico, mas aborda mudanças em relação a um design que traga, indiscriminadamente, qualidade de vida para todos [5]. Assim, passada a excitação e euforia das discussões acerca da importância do design no contexto económico das empresas e do mundo, surge-nos assim este papel social direccionado para a responsabilidade social e para o consumo consciente, onde o designer tem em conta o factor ambiental e a humanidade.

DESIGN SOCIAL vs. DESIGN PARA O MERCADO
O designer tem efectivamente o dever activo de melhorar e facilitar a qualidade de vida do próximo, numa procura incansável pela melhor potencialidade, expressa através do seu trabalho. Deste modo, estas crescentes preocupações do designer pela sociedade expressam-se através de vertentes desta prática: o Design Activista, Social ou Critical Design. Estes termos que surgem frequentemente nas discussões e debates, bem como em textos e discussões remetem e tratam sobre o papel social do design, sublinhando conceitos como a ética e a responsabilidade. Termos estes que têm por base a materialização de uma ideia por meio de análise, planejamento, execução e avaliação, que resultam num conceito e na difusão de um conhecimento, para influenciar o comportamento voluntário do público-alvo (beneficiários), para promover mudanças sociais [5].
Jamais se pode negar a validade do design direccionado para o desenvolvimento económico das empresas e, consequentemente, para o país, porém há que trazer e defender um design social genuíno que tenha como principais mandamentos a criação de estratégias que resolvam os problemas majoritários, que privilegiem a ética, o bem-estar da comunidade e respectiva qualidade de vida, as questões ambientais e o pensamento global. Como defende Frederico Duarte, o design deve servir não para explorar a natureza, mas para trabalhar com ela, não falando somente acerca dos objectos de uso, mas acerca do modo como são cultivados, explorados, processados e distribuídos. [3]

EM JEITOS DE CONCLUSÃO
A vida em comunidade faz emergir necessidades e responsabilidades sociais que o design jamais deverá descorar. Colocando-se como mediador entre a sociedade e o homem, os designers deverão procurar investigar e desenvolver paradigmas que solucionem os problemas sociais.
Acredito que com a crescente discussão acerca do papel social do design e com contributos como o de Frederico Duarte, iremos certificar os aspectos da responsabilidade social, importantes para que haja uma mudança cada vez mais positiva na própria actividade do design e consequente sociedade!
Compete-nos a nós designers contribuir para a inversão das realidades, contribuindo com estudos e projectos para a patente consciencialização, de modo a não deixar que o Critical Design se imponha somente como mais um conceito e esqueça os seus princípios. Há que ter em conta que a nossa missão enquanto designers de comunicação, é a de comunicar uma mensagem, projectando interfaces entre o indivíduo e o mundo. Há que ter consciência que o nosso trabalho contribui activamente para a configuração da sociedade.
Com tal poder, afirmamo-nos tanto como a solução como o problema. É apenas necessário escolhermos o lado pelo qual queremos lutar e a mensagem que queremos transmitir.
Estás satisfeito com a tua sociedade? Escolhe bem.

Joana Santos

__________________

Palavras-Chave: Design, Design de Comunicação, Design Social, Responsabilidade Social, Alcance Social

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NOTAS:
[1]   Frederico Duarte (2011), in “O Factor Favela”, Alvorada, Projecto Design
[2]   Tiago Machado (2011), in “Design quê? Design Crítico”, Authority
[3]   Daniel Douek (2013), In “Entrevista a Frederico Duarte”, Biblioteca

[4]   Marcio Dupont (2014), In “Design e Sustentabilidade”, ADP – Associação dos Designers de Produto
[5]   Cleuza B. R. Fornasier (2012), in “Da Responsabilidade Social imposta ao Design Social movido pela Razão”, p. 25

One thought on “O designer enquanto parceiro da sociedade”

  1. Corrigir a redacção do texto. Por exemplo, “têm-se vindo” em vez de “tem-se vindo” e repetido várias vezes.
    A conclusão, e para não dizer o post, parece um manifesto. Seria até interessante não fosse a repetição de ideias e uma redacção com problemas.
    Peço para melhorar o texto que, apesar do que afirmei atrás, apresenta ideias interessantes.

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