“O desafio contemporâneo do design brasileiro”

Daniel Marques

Em prol do seu projeto de doutoramento, Frederico Duarte realizou uma viagem por todo o Brasil, onde, entrando em contacto com o povo, elaborou um importante arquivo de investigação e pesquisa.

Ao contrário dos seus colegas de curso, Frederico não está a trabalhar com uma coleção de design de algum artista, mas sim a criar a sua própria coleção, a colectar, o que se torna muito mais difícil. Um dos seus objetivos com esta pesquisa é ir para além dos exemplos mais óbvios de design, como é o caso do design pensado para as classes altas, e pegar em exemplos que mais tarde tenham potencial para estar num museu de design.

Frederico deu como exemplos umas calças de ganga da Primark, expostas no museu Victoria and Albert, um conceituado museu de arte e design situado em Londres, tendo como intuito alertar o público para a mão de obra barata e infantil, ou ainda o fenómeno Flying Pigeon, na China, tendo-se tornado a bicicleta mais famosa do mundo.

O seu principal objetivo foi levantar questões e investigar as suas soluções. “Como é que as mudanças sociais estão a moldar o design brasileiro e a criar o próprio modelo de design do Brasil?” A sua pesquisa rondou a questão “De que forma é que o design brasileiro pode ser um instrumento social?”, especialmente entre a década de 2004 e 2014, pelo simples facto de ter sido uma década de grande crescimento para o Brasil.

Em 2009, quando começou, o futuro tinha chegado ao Brasil, o seu desenvolvimento parecia estar finalmente a começar, no entanto, as coisas não correram como previsto. O Brasil é provavelmente um dos maiores símbolos de desigualdade social, e isso também é um grande fator na definição e na evolução do design nesta nação, e a forma de como este transita para outros lados do mundo.

E foi exatamente aqui, entretanto, que algo o fascinou: a definição da Classe C. A Classe C é nada mais, nada menos do que a classe média-baixa, e é esta a classe que mudou o Brasil, que definiu e ainda define este país. A Classe C, pela sua enorme dimensão, trouxe esta ideia de uma classe que nunca tinha sido pensada, em termos políticos e sociais, e que veio mostrar a sua cara.

Tentar entender o que é que é importante e relevante na produção de um território: este é o seu desafio. O que é que é contemporâneo no design brasileiro? Qual é a sua identidade? O que é a identidade, afinal?

Mais uma vez exemplificando, Frederico falou na marca Havaianas. Para que este produto não desaparecesse e deixasse de ter relevância partiram para um truque de marketing excelente: colocar as Havaianas nos pés certos, isto é, mostrar estes chinelos nos pés de celebridades e figuras públicas. No entanto, seria possível mostrar umas Havaianas, isto é, mostrar esta marca, sem mostrar um par de chinelos obrigatoriamente? Este é um dos desafios a que Frederico Duarte se submeteu.

Outro exemplo é a Natura, uma empresa muito idêntica à AVON, criada no Brasil, com uma ética de sustentabilidade e muito querida pelo público brasileiro. O produto Natura Sou, sabonete líquido lançado em 2009, define a ideia do contra-desperdício e do “até à última gota” com um preço muito abaixo do comum. Para chegarem a este resultado, criaram uma máquina que corta e enche a embalagem muito mais rapidamente gastando muito menos recursos, acabando por sair mais barato e sendo menos poluente. É um exemplo de um produto de design brasileiro que tem posto em causa a venda de outros produtos no Brasil.

Para finalizar, deu também o exemplo do purificador de água. Praticamente toda a população do Brasil não confia na água que recebe em casa e o purificador tornou-se num produto essencial, conveniente e relevante para os cidadãos. Foram criados programas que ligam estes purificadores às distribuidoras de água, facilitando e simplificando a vida das pessoas, não sendo necessário comprar um purificador, encher este com água da torneira e por fim purifica-la, uma vez que a distribuidora já faz esse trabalho pelo cidadão/cliente.

A verdade é que o mundo está a tornar-se bastante “brasileiro”, mais multi-facetado, mais diversificado, mais “desarrumado”, mais misturado. Como é que é o apelo do design brasileiro e como é que o mundo pode enriquecer com este? É nisto que a investigação de Frederico Duarte se resume e tudo indica que tem muitos frutos a dar.

“O nosso pobre, belo e culturalmente rico país – o desafio contemporâneo do design brasileiro.”

One thought on ““O desafio contemporâneo do design brasileiro””

  1. Não me parece que seja isto o que aconteceu nessa viagem do Frederico Duarte: “Em prol do seu projeto de doutoramento, Frederico Duarte realizou uma viagem por todo o Brasil, onde, entrando em contacto com o povo, elaborou um importante arquivo de investigação e pesquisa”. Retirava ou refazia os dois
    parágrafos seguintes porque têm imprecisões e apresentam os assuntos sem estarem enquadrados.
    “E foi exatamente aqui, entretanto, que algo o fascinou: a definição da Classe C”, não sei se chega a ser fascínio mas somente a base do iceberg que os designers e industriais (sobretudo, brasileiros) querem ignorar porque não têm capacidade de resposta para uma fasquia enorme da população.
    Há desafios que atribui a Duarte que não o são propriamente porque se tratam de casos de estudo para o investigador.
    O problema deste Post é que não parte do título para desenvolver as questões intrínsecas, perdendo interesse por isso. Quando afirma no final que “a verdade é que o mundo está a tornar-se bastante “brasileiro”, mais multi-facetado, mais diversificado, mais “desarrumado”, mais misturado. Como é que é o apelo do design brasileiro e como é que o mundo pode enriquecer com este?”, essas perguntas poderiam ter uma resposta imediata se investigasse um pouco.
    Não apresenta links para ampliar teoricamente o post. A citação final não tem autor!
    Terá de refazer o Post#2 segundo as exigências pré-definidas.

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