Design Right/Write

Para encerrar a edição de 2016 dos Encontros de Design da FBAUL, Teal Triggs apoiou o movimento cujo processo é transparente para que seja contribuinte do enriquecimento e imposição disciplinar do Design. O Critical Design pretende questionar e abrir espaço para o desenvolvimento de novas questões desencadeadas por uma rede de explorações e expressões em constante expansão. Teal Triggs refere o Critical Design enquanto atitude participativa e capaz de transformar o modo de vida e de praticar Design, a partir da escrita e da reflexão para uma formação mais correta do domínio.


A opinião não especializada (que carece de rigor intelectual) poderá não ser considerada crítica mas pode representar um papel importante na rede democrática dos novos media.
‘Better Living Through Criticism’ é o título do livro de A. O. Scott que conta com uma secção de perguntas e respostas em várias alturas da leitura. Esta poderá ser uma indicação para a concepção de que a crítica é uma conversa inacabada, cujo combustível é a investigação, exploração e crítica. Perante um desconforto social com o julgamento e a existência de ideais fortes os comentários não desafiam a troca coletiva de experiências e motes de investigação. Aliás, encontramos ainda plataformas online que bloqueiam a possibilidade de comentário e num contexto de Critical Design é uma lacuna grave tendo em conta os princípios deste, para o qual a discussão gerada é o objetivo final. A discussão enquanto expressão humana é inata [1] e o que o Critical Design pretende é a liberdade dessa expressividade por parte da comunidade, de forma baseada.

Esta imposição do Critical Design faz sobretudo sentido no panorama do Design atual, com mais questões pertinentes do que nunca sobre a posição que a disciplina deve tomar.
A qualidade em detrimento da inovação, num tempo em que se questiona o excesso de objetos existentes (Charles Eames: “innovate only as a last resort”; Douglas Huebler: “The world is full of objects, more or less interesting; I do not wish to add any more”), tem dado aso a vários movimentos facilmente relacionados de forma direta ao Critical Design, como o Slow Design [2] e o Uncritical Writing [3].
A razão de existência de ambos é propor uma introspeção em relação ao que já existe e de que forma podemos evoluir esses mesmos objetos, através da discussão em tornos destes.
O Slow Design, proveniente de toda a corrente do Slow Movement (Slow Food, Slow Technology, Slow Fashion, …), preocupa-se com a democratização do Design adaptado às necessidades mas preocupado com a diversidade a longo prazo, e partilha com o Uncritical Writing o rumo anti-materialista. Não consiste numa proposta de relação tempo e espaço mas de pensamento, deliberação, argumentação, aperfeiçoamento e questionamento.

O Critical Design desconstrói a autoridade do designer e a pirâmide hierárquica e assume o processo, as referências e influências, provando que qualquer trabalho parte sempre de uma estrutura coletiva e que esse facto deve ser visto como normal e correto.

 

(figuras) O ‘New Yorker’ mantém o seu layout com poucas transformações desde a sua criação [4] e as suas capas obrigam à informação do leitor em vários domínios.


Rui Pedro Martins


Palavras-chave: critical design, till triggs, slow design, uncritical writing

 

Referências:

[1] Timberg, Scott (2016). Entrevista a A. O. Scott. Salon.
salon.com/2016/02/07/a_o_scott_qa/

[2] Bierut, Michael (2016). “In Praise of Slow Design”. Design Observer.
designobserver.com/feature/in-praise-of-slow-design/3947

[3] Popova, Maria (2013). “Uncreative Writing: Redefining Language and Authorship in the Digital Age”. Brain Pickings.
brainpickings.org/2013/02/13/uncreative-writing-kenneth-goldsmith/

[4] Vermaas, Chris (2001). “Typography and Design”. Eye Magazine.
eyemagazine.com/feature/article/a-new-york-state-of-mind

 

One thought on “Design Right/Write”

  1. Não entendo o que quer dizer com “Teal Triggs apoiou o movimento cujo processo é transparente para que seja contribuinte do enriquecimento e imposição disciplinar do Design”. Porque não começa o post com o que vem a seguir?
    Depois afirma que “a opinião não especializada (que carece de rigor intelectual) poderá não ser considerada crítica mas pode representar um papel importante na rede democrática dos novos media” tem um aparente equívoco que é considerar que não tem rigor intelectual por não se desenvolver dentro da área disciplinar. Talvez seja os contributos de não-especialistas aqueles que mais interessam exatamente pelo rigor intelectual e pela diversidade de olhares e interpretações.
    À frente fala de inovação, de slow design e de um conjunto de conceitos que associa ao critical design sem que se perceba bem como e porquê.
    Remata com “o Critical Design desconstrói a autoridade do designer e a pirâmide hierárquica e assume o processo, as referências e influências, provando que qualquer trabalho parte sempre de uma estrutura coletiva e que esse facto deve ser visto como normal e correto” sem que tenha havido antes uma análise sobre estes aspectos da autoridade, do processo e da coletivização.
    A ilustração final mostra pormenores do New York Times. A que propósito?
    Ora, um post deverá tratar um assunto com assertividade e clareza, bem como, utilizar vários links para uma desejável realidade teórica aumentada.

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