A importância da escrita no Critical Design

Fig. 1, Fig. 2 – 2010, Research Studios calendar

No passado dia 17 de Novembro, os “III Encontros de Design de Lisboa” tiveram lugar no Grande Auditório da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, que teve como tema “ design, identidade e complexidade”. Uma das oradoras foi Teal Triggs, professora, historiadora e escritora cuja investigação se centra na história do design gráfico, métodos de pesquisa de design, auto-publicação e feminismo; que apresentou “Sites of graphic design criticism: new spaces, new critics.” Será a propósito da sua exposição que irei desenvolver o presente Post.

O discurso crítico surgiu por meios alternativos como exposições e publicações independentes. O papel da crítica no design gráfico continua a ser considerado uma área de estudo secundária, especialmente quando comparada com disciplinas como literatura, história da arte, cinema e arquitectura. Contudo, a crítica tem sido omnipresente no processo de design. Na educação de um designer, o processo crítico e de escrita é fundamental. Entender a crítica e aplicar habilidades de pensamento crítico para projectar desafios é crucial para um designer, ou seja, é importante questionarmo-nos de “como é o design praticado” ao invés de aderir a um estilo particular. Os designers necessitam de interpretar padrões de informação e são assim obrigados a desenvolver ferramentas analíticas para comunicar as complexidades dos dados. A prática de critical design promove entendimentos de storytelling e de auto crítica. [1]

Designers famosos, assim o são graças à exposição das suas obras, ao invés da prática de design por si só, dando como exemplo, Neville Brody, que tem centenas de exemplos dos seus trabalhos publicados e discutidos na imprensa. Desta maneira Brody tem uma reputação e influência que não teria apenas com a prática. [2]

“Design is more than just a few tricks to the eye. It’s a few tricks to brain.” Neville Brody [3]

A publicação de projectos leva a debates e discussões que defendem certas posições estéticas. Ao mesmo tempo, um cânone histórico é gerado, um cânone que irá influenciar a próxima geração de designers, indicando qual o trabalho de valor e o que é excluído. O que é particularmente interessante sobre a crítica em geral é como diferentes perspectivas dão origem a diferentes significados. Crítica não produz respostas, apenas opiniões, que por sua vez devem ser diversas.

Penso que para que a crítica do design gráfico exista da mesma forma que existe noutras disciplinas, e com a mesma variedade de perspectivas, são necessários escritores dedicados, mas há que ter em conta que a escrita ocasional no decorrer da pesquisa não é o mesmo que ser um crítico completamente desenvolvido, escrevendo regularmente sobre uma escala larga de assuntos de design gráfico.

“Using what I know to good effect.”
Teal Triggs

Conclusão

Como designers devemos fortalecer as relações entre o design e as ciências, tal como todas as outras áreas. Há poucas dúvidas de que o paradigma de design continuará a mudar, assim como os atuais contextos económicos, sociais, culturais, ambientais, tecnológicos e políticos. O desafio para a educação de design é adaptar e criticar. Este tem sido sempre o seu objectivo principal, mas agora é mais relevante do que nunca. Iluminar a necessidade de habilidades auto-reflexivas e críticas na educação de design deve ser o foco central deste projecto. O pensamento de design e a crítica devem constituir a base para a abordagem dos desafios sociais e económicos contemporâneos. A chave para a crítica convincente é fazer um argumento racional, historicamente apoiado e construído logicamente, pois correctamente executada, mesmo a crítica mais mordaz deve ser útil e instrutiva, não se focando apenas nos aspectos negativos mas sim também nos positivos.

Nádia Silva


Palavras-Chave

Critical Design, Escrita, Exposição


Referências

[1] Cassie McDaniel, Design Criticism and the Creative Process. Disponível em: http://alistapart.com/article/design-criticism-creative-process

[2] Interview with graphic designer Neville Brody. Disponível em: http://www.designboom.com/design/interview-with-graphic-designer-neville-brody-10-10-2014/

[3] Neville Brody. Disponível em: http://inkbotdesign.com/neville-brody/

One thought on “A importância da escrita no Critical Design”

  1. Julgo que o título do post deveria ser “A importância do discurso no Critical Design”.
    Contudo, enquanto no segundo parágrafo abordas o assunto, nos dois seguintes abandona-lo sem que se perceba porquê. Porquê o caso de Neville Brody? É um designer com pouco discurso teórico…
    Mais à frente afirmas o seguinte: “Penso que para que a crítica do design gráfico exista da mesma forma que existe noutras disciplinas, e com a mesma variedade de perspectivas, são necessários escritores dedicados, mas há que ter em conta que a escrita ocasional no decorrer da pesquisa não é o mesmo que ser um crítico completamente desenvolvido, escrevendo regularmente sobre uma escala larga de assuntos de design gráfico”. Isto não acrescenta nada ao assunto e, sobretudo, retira importância ao 2º parágrafo que parece melhor redigido.
    A Conclusão é trivial e não suportada por aquilo que a professora Teal Triggs disse nem por outra referência do universo do critical design.
    Tenta refazer o post com base no assunto que o título propõe.

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