Critical Design: “Design só é design se comunica conhecimento.”

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Design social ou socialmente oportunista?

Este post surge na sequência da apresentação do crítico e curador de design Frederico Duarte, nosso convidado na aula de Estudos Contemporâneos em Design, que nos expôs o tema “O Desafio Contemporâneo do Design Brasileiro”. Neste sentido proponho uma pequena reflexão sobre um dos temas que me suscitou interesse à luz do Critical Design: “Design só é design se comunica conhecimento”: Design social ou socialmente oportunista?
e90cbe9fc163ea87bfe79a5b6e841c7aAlgaculture Solarium by Michael Burton & Michiko Nitta
O design coloca-se como disciplina importante no que diz respeito à denúncia de situações de risco na sociedade, bem como a exaltação de valores morais, com o devido respeito que a comunidade merece.
Avaliando a situação do Brasil, que se coloca como uma das superpotências mundiais do século XXI, na sua exaltação de ex-colónia e com um futuro em ascensão, percebe-se uma lacuna no que diz respeito à constante referência a estereótipos e histórias que constituem o design presente.
Os projetos de design atualmente constituem-se como sociais, trabalham em função de e para comunidade, sendo financiados pelo estado e pouco mais desempenham que isto. Os designers não desenvolvem na íntegra o seu potencial crítico, pouco questionam os problemas da sociedade, ou arranjam soluções para muitas falhas existentes no sistema, deixando que o próprio sistema os resigne ao papel secundário que lhes foi dado.
Se ao longo do século XX, o design foi visto como uma disciplina desempenhada entre elites, o século XXI pretende romper com este padrão e colocar o design ao serviço de todos. As mudanças no ensino, na sua prática, a inclusão dos media e o reconhecimento do design como profissão foram passos importantes para a função social do design tanto em países como o Brasil e outros do mundo.
Projetos de design para o atual Brasil, é um dos maiores desafios para qualquer designer, pois significa trabalhar com as possibilidades e limitações de um país cuja sociedade vive problemas socio-económicos bastante complexos.
Como podem os designers brasileiros competir a nível internacional, se o design que se pratica corresponde a projetos onde o trabalho desenvolvido tem por base os recursos humanos e campanhas de marketing lançadas à volta de marcas.
Refletido sobre a questão anterior, podemos pensar primeiro em projetos de design social, iniciativas nas quais os designers são chamados a intervir junto de comunidades, para prestar serviços e melhorar a sua produção. Ou outros projetos diretamente relacionados com os fabricantes dos produtos das marcas, que se aproveitam de uma colaboração entre o designer e instituições de inserção social que pretendem trabalhar em conjunto, numa troca mútua, contudo este é um cenário que favorece claramente a marca a nível financeiro. Os pobres continuam pobres e quem já era rico, cada vez mais enriquece e como muitos produtos são elaboradas de forma anónima, os trabalhadores que as criaram não ganham nada com a sua venda.
Enquanto o primeiro projeto de design social se constitui como uma resposta às limitações de uma comunidade, o segundo aproveita esta limitações em benefício próprio, que é vender o produto.
Há um confinar do design a um propósito meramente comercial, não há uma vontade de resolver questões, através destas situações e de uma crítica construtiva, mas sim a invocar uma suposta caridade para vender o produto do seu trabalho.
Design social ou socialmente oportunista, coloca-se a questão, há uma relação pouco meritória entre produto, marca, designer e fabricante, onde os meios justificam o fim de vender. Este método tem sido aplicado por muitos designers com intuito de vender mais e ganharem mais reconhecimento e sucesso a nível internacional. Estará o design está entregue ao marketing?
O exemplo Brasil, trazido pelo critico Frederico Duarte é tão verdadeiro e válido nesta superpotência, quanto em outras partes do mundo, o designer necessita de dar o passo seguinte.
Neste sentido, pretende-se reavaliar a forma como os designers atuam na sociedade, se de uma forma social, socialmente oportunista ou socialmente critica.
Atualmente, vivemos num período em que a critica no design se constitui como objetivo fundamental da disciplina. A sua vertente comercial e funcionalista deixou de ser fulcral na conceção dos objetos, as respostas imediatas deixaram lugar a questões existencialistas que pretendem reconhecer que o que está a funcionar mal e pensar de que forma podem resultar para um bem maior.
Um “design só é design se comunica conhecimento”, afirma o designer Enzo Mari, que acredita que um design deve ser fonte de conhecimento, de uma construção social, e não mercadoria.
O design contemporâneo cumpre o seu objetivo quando comunica e traz conhecimento em vez de responder a questões práticas mercantis, pois como disciplina, é dotado de potencialidades críticas capazes de denunciar problemas sociais, que têm vindo a ser estudadas e debatidas teoricamente em escolas/universidades.
Mas na prática, onde ficará todo este conhecimento critico adquirido?
Mónica Medeiros
http://modesofcriticism.org/critical-everything/
http://www.pantagruelista.com/blog/ser-e-design
https://iconline.ipleiria.pt/bitstream/10400.8/1714/1/Joana_Rebelo_Morais.pdf
http://www.matthewlangley.com/blog/Enzo-Mari-Autoprogettazione2.pdf

One thought on “Critical Design: “Design só é design se comunica conhecimento.””

  1. Não concordo com a afirmação “Os projetos de design QUE atualmente SE constituem como sociais, trabalham em função de e para comunidade, sendo financiados pelo Estado e pouco mais desempenham que isto.” Terá de a explicar.
    “Se ao longo do século XX, o design foi visto como uma disciplina desempenhada entre elites, o século XXI pretende romper com este padrão e colocar o design ao serviço de todos.” Parece-me que há aqui um equívoco. O design pode ser orientado para as elites (algum dele), mas um dos seus triunfos foi a democratização do acesso a artefactos de inquestionável qualidade e valor social. Se não, repare na atividade de Dieter Rams na Braun. Aqueles artefactos chegaram a todas as casas melhorando o quotidiano das pessoas.
    Mais a baixo começa um parágrafo com “Design social ou socialmente oportunista,…” que remete para outra imprecisão, pelo menos de construção frásica: design social não é o mesmo que design socialmente oportunista. É antes uma derivação oportunista que as grandes marcas utilizam abusivamente.
    Talvez fosse de investir mais na especificação desse oportunismo quer no design social quer no critical design. Como é que estas vertentes da prática e da teoria em design são utilizadas pelos países e pelas marcas globais como estratégias/lógicas/processos comerciais?
    O post terá de ter links que ampliam a informação e criam um ambiente de conhecimento rizomático ou expandido. Além disso, deve preocupar-se em não fugir ao título do post e explicá-lo claramente.
    Refaça o post.

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