2º Renascimento: O compromisso do design ontológico

Mónica Medeiros
Kieren Jones, Personal Micro-Farm: The Chicken Project, Backyard Factory (‘Micro-fattoria personale: Progetto polli, Fabbrica nel cortile’), Royal Collage of Art, 2010.
Este post foi desenvolvido na sequência dos III Encontros de Design 2016: “Design e Identidade/ Design e Complexidade”  http://encontrosdesign.belasartes.ulisboa.pt/

A importância da reflexão, da politica e da ação.

Na história do design gráfico, o renascimento foi marcante pela inovação no design do livro. O design da página, a tipografia, a ornamentação, as ilustrações, até a conceção do livro foram repensados pelos humanistas italianos.

Os livros deste período foram desenhados com a presença de leis matemáticas e princípios geométricos, que exaltaram os princípios do humanismo dessa época. Esta inovação propôs uma nova visão do design que se apropriou das novas linguagens emergentes na época, que contribuíram para uma melhor compreensão de aspetos desta nova sociedade.

A era renascentista fora de grande contribuição para o percurso do design gráfico. Devido às inovações na diagramação, produção tipográfica, as temáticas abordadas, as ilustrações criadas e o design do livro em geral.

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Leonardo Da Vinci- Homem Vitruviano

 

Esta introdução serve de contextualização para a questão que se coloca no design atual: o repensar da disciplina, a reflexão que as problemáticas atuais nos propõem e como o design pode agir em função das mesmas.

É neste sentido que a professora e conferencista Fátima Pombo propõe um 2º Renascimento no design, atendendo aos novos meios tecnológicos que vão surgindo e que potenciam a inovação da comunicação na disciplina. A potencialidade dos novos media no design crítico acontece quando o seu valor de uso se distingue da sua própria funcionalidade, introduzindo elementos e significados verdadeiramente novos que se distinguem dos que é habitual. O design ontológico pretende explicar a relação do funcionamento destes novos media, nomeadamente o computador, bastante presente na nossa sociedade, com a linguagem humana, seu pensamento e ação, orientando-o num sentido reflexivo e político.

O objetivo dos designers deve ser a prática do conhecimento adquirido através do pensamento crítico/reflexivo, delineando um novo caminho para o design. Colocando em ação este pensamento, com a utilização das novas ferramentas media, o designer cria novos artefactos e contextos que pretendem atuar e conscientizar o expetador, que vai descodificar a mensagem através de um trabalho de interpretação que certamente levará a outras questões.

Um projeto ontológico é importante na medida que vai relacionar o funcionamento mecanicista com a linguagem humana e coloca-los como meios para transmutação de problemas críticos da sociedade contemporânea.

Este novo caminho traçado pelo designer coloca-o no domínio de várias possibilidades, que refletem preocupações reais não compreendidas dentro da tradição racionalista. Se os computadores pudessem pensar da mesma forma que os seres humanos faria com que a interação entre eles fosse direta e de extrema importância na conceção de ferramentas, como sistemas de computacionais, contudo seria uma mera imitação das faculdades humanas. Uma ontologia clara e conscientemente organizada é a base para o tipo de simplicidade que torna o sistema computacional utilizável.

No panorama atual, o fundamental do design são as ações geradas e interpretadas por um utilizador, relativamente a algum assunto. O designer projeta uma linguagem que cria o contexto que o utilizador irá interpretar, que pode ser clara ou complexa, contudo a complexidade estabelece um espaço de várias possibilidades de ação que coloca a compreensão humana noutro nível de consciência.

A análise de um projeto crítico de design dentro de contexto sociais, culturais e económicos pode começar por gerar uma reflexão mais consciente e politica assim como gerar os objetos, propriedades e ações que pretendam dar respostas a problemas, bem como evitá-los. O design constitui-se como disciplina importante na medida que deixa de dar respostas imediatas e desperta-nos para algo maior que o evidente, para que possamos estar cientes de que é preferível agir do que reagir.

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Left: Ralph Borland, Suited for Subversion, 2002. Nylon, reinforced PVC, denim, padding, speaker, pulse-reader, circuitry.
Right: SPUTNIKO!, Menstruation Machine. Takashi’s Take. The machine was developed with research support from Professor Jan Brosens at the Department of Medicine, Imperial College London

O designer está envolvido no domínio das novas possibilidades proporcionadas pelos media e compromete-se através de uma ontologia projetual (1) a despertar o pensamento e ação. A prática projetual constitui-se enquanto fenómeno e suas relações, como e onde ocorre, qual o sentido da sua existência nos contextos onde emerge, como se relaciona e como produz conhecimento aos seus utilizadores.

Em suma, o design tende a deixar de ser comercial para ser critico. Apropria-se de conceitos (2), de questões sociais importantes, que necessitam de denúncia – Speculative Design – critica acontecimentos recentes da humanidade que não se resolvem milagrosamente, desempenhando um papel fundamental na projeção soluções e a dar espaço para explorar os limites da realidade.

 

(1) Understanding Computers and Cognition—the book from which this selection comes—is often described as a stinging critique of artificial intelligence, and particularly of its approach to natural language understanding.
(2) Conceito de metamorfose (criaturas que transitam entre ambientes) por Luiza e Pedro.

 

http://www.domusweb.it/content/domusweb/en/design/2011/08/31/states-of-design-04-critical-design.html/

http://www.coroflot.com/jacksonmcconnell/Critical-Design

View at Medium.com

 

2 thoughts on “2º Renascimento: O compromisso do design ontológico”

  1. Não vejo qual a pertinência da abertura do post.
    Mais à frente não entendo o seguinte: “O objetivo dos designers deve ser a prática do conhecimento adquirido através do pensamento crítico/reflexivo, delineando um novo caminho para o design.” O que é a prático do conhecimento nesta afirmação?
    “Um projeto ontológico é importante na medida que vai relacionar o funcionamento mecanicista com a linguagem humana e coloca-los como meios para transmutação de problemas críticos da sociedade contemporânea.” Isto está confuso… Terás de explicar o que é design ontológico, a qual chamas projecto, e como este funciona.
    Não existe justificação no post para a existência deste parágrafo: “Este novo caminho traçado pelo designer coloca-o no domínio de várias possibilidades, que refletem preocupações reais não compreendidas dentro da tradição racionalista. Se os computadores pudessem pensar da mesma forma que os seres humanos faria com que a interação entre eles fosse direta e de extrema importância na conceção de ferramentas, como sistemas de computacionais, contudo seria uma mera imitação das faculdades humanas. Uma ontologia clara e conscientemente organizada é a base para o tipo de simplicidade que torna o sistema computacional utilizável.”
    Na conclusão afirmas “o design tende a deixar de ser comercial para ser critico”. Acontece que a coabitação é essencial para o desenvolvimento da crítica em design. Entre a produção do afirmative design e do critical design decorrem críticas de pendores racionalista, especulativo e até híbrido, tudo isto levado a cabo por críticos profissionais e amadores/curiosos em suportes analógicos e digitais.

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